sexta-feira, 17 de julho de 2015

Muitas ideias, e poucas palavras.

Olhou para a tela branca e pensou em mil coisas, mas nada do qual gostaria de escrever.
Pensou no sistema que engana, ilude e aturdia seus membros para não saírem dele.
Pensou o qual as pessoas desrespeitam umas as outras, e se esquecem de olhar no espelho.
Pessoas pregam coisas que não cumprem e denigrem quem com elas não concordam.
Desejou parar de pensar. Muitas e ideias, e poucas palavras.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Fofoca

E mais um buchicho surgia no horizonte, com quem será que ele estava transando agora?
Será que a esposa dele sabe? Será que ele faz isso no trabalho? Será que...
Entram tantos será, tantas pessoas envolvidas, que cada hora que história era contada um personagem novo surgia.
A fofoca se espalhava cada vez mais, e se havia alguma verdade ninguém sabia, mas todos falavam. E era no ambiente de trabalho que mais atrapalhava. Se era um bom profissional, não era o que interessava. O que realmente interessava eram com quem ele estava saindo, com quantas se deitou (ou só transou). Sua vida sexual era o assunto até de reunião de pauta da diretoria.
Naquele local, esse tipo de discussão era comum. Até que era virgem já tinha se relacionado com mais de mil. E o trabalho ia se acumulando, pois discutir a vida sexual das pessoas era mais interessante do que fazer as coisas funcionarem, e quem não participava era dessas pessoas que falavam.
E assim se foi mais um dia de trabalho...

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Dor


A dor era constante e ela não sabia mais o que fazer.
Os médicos não ofereciam um diagnóstico preciso, e idas e vindas às consultas eram constantes.
Um exame aqui, outro ali. Nenhum deles chegava a conclusão algumas. Assim se foi uma ano, dois, três, mais de uma década se passou.
Quando ela reclamava, os outros zombavam, diziam que ela reclamava demais. A dor passou a ser sua companheira, já não reclamava, às vezes era como se não a sentisse, mas ela ainda estava lá. Havia dias que ela preferia ficar sozinha, pois não conseguia fingir que tudo estava bem. Nisso ela foi se afastando cada vez mais, só participava de eventos em que ela era obrigada a ir, passou a trabalhar online para não precisar sair, não tinha mais amigos com quem compartir.
Viveu uma vida imersa na dor. Ninguém percebeu quando ela desapareceu, passaram-se dias até a entrarem deitada na cama com agulhas de morfina ao seu redor, com um sorriso que em sua face ranzinza cavada pelo cansaço.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Atrasado


Corre, corre, o relógio tocou.
Salta logo, a cama mandou.
Entra, entra, o chuveiro gritou.
Sai, sai, a água falou.
Ponha-me, a roupa sussurrou.
Ande, ande, o sapato, alardeou.
Não há mais tempo, a mente lembrou.
Assim começou o dia de Daniel.
Nem comer comeu, pois atrasado estava.
Estava atrasado por esperar que o mundo ao seu redor girasse.
Que seus desejos e ordens bastassem para viver o dia-a-dia.
Mas não bastavam, precisava crescer.
Precisava entender que haviam regras a serem cumpridas.
E existiam regras a serem quebradas.
Havia um mundo ao seu redor que não dependia de sua existência.
Havia um mundo de desejos e sonhos que não eram deles.
Alguns já haviam percebidos que estavam atrasados.
Outros ainda sonhavam com sua grandeza.
Pressionavam o soneca a cada vez que o relógio tocava.
Alguns acordavam e voltavam a dormir.
Daniel ainda estava em dúvida se queria enfrentar aquela realidade.
Mas outros que também haviam acordado o acolheram.
E agora Daniel dormia de tempos em tempos, mas apenas cochilos rápidos.
Não queria se perder no sonho, por mais difícil que a realidade lhe aparecesse.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Mudar



Tocava uma música animada do lado de fora da janela, mas Ana não queria sair de sua casa, queria que aquela música cessasse para que ela pudesse ser absorta por sua melancolia. Não havia acontecido nada a ela, ela estava exposta ao mesmo marasmo e tarefas cotidianas. E era justamente isso que ela queria mudar, mas estava confusa em como conseguir. Já havia tentado mudar de rumos, mas as responsabilidades impostas a faziam voltar a trás. Deveria assumir as rédeas de sua vida, ser livre e assumir outras responsabilidades, que gostaria de poder escolher. Talvez, se a escolha fosse dela, ela escolheria o mesmo marasmo e as mesmas tarefas cotidianas, mas naquele momento ela não sabia disso, pois a escolha não fora dela. Ela assumira desejos de outras pessoas como se fossem dela, mas em seu cerne ela sabia que não desejava aquilo. Mas como quebrar expectativas sem magoar outrem? Essa questão ela não sabia responder, entretanto ela continuava a se machucar para atender a essas expectativas. Suas feridas estavam cada dia mais expostas, e todos fingiam não vê-las. Ela pensara em se matar para que aquela dor passasse, para se libertar daquela prisão de ideias que a agonizavam. Mas ela queria viver, uma vida diferente, e para aqueles que não esperavam isso dela aquilo era loucura. Só que ela nunca esteve tão sã.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

A discussão


Tomas e Raquel começaram a discutir no escritório enquanto havia uma festa na sala. Não estavam preocupados se os outros estavam ouvindo.
A poucos minutos Larissa havia dito despretensiosamente que aquela seria a última festa celebrada na casa, sem saber que Tomas não sabia das intenções de venda de Raquel. 
Eles haviam se separado a seis meses, após uma briga, depois disso só se falavam por videoconferência para que Tomas visse a filha de Raquel que ele havia adotado como se fosse dele, mas não haviam discutido sobre os motivos ou as consequências do ocorrido. Aquela seria a primeira vez em que ambos discutiam seu relacionamento após a separação.
Bate-se a porta, e o silêncio toma conta da sala.Tomas se despede, e a festa continua, como se nada tivesse acontecido. Ambos haviam refeito suas vidas, entretanto ambos queriam voltar a ficar juntos, mas não sabiam como fazer isso.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Navegante



Ela navegava por um mar desconhecido, sem saber em que direção estava o porto mais próximo. Estava totalmente perdida, mas sentia que havia se encontrado. Naquele momento, estava em paz, confiante das batalhas que travou, e segura de que tinha tudo que precisava para obter êxito em sua jornada.
Seu barco não tinha tripulantes, apenas ela no comando. Havia aprendido a racionar seus proventos para longas jornadas. Mantinha plantas em seu barco, e enviava redes ao mar para ter o que comer. Arrumar água para beber era mais complicado em alto mar, mas ela desanilizava a água se preciso fosse.
Não tinha pudores, sabia se portar tanto em um banquete oferecido a reis, como em um oferecido aos porcos. Mas não se sentia adequada vivendo em sociedade, gostava de estar sozinha com suas loucuras e esquisitices. Sonhava acordada, com mundos e personagens completamente diferentes, e estranhamente similares, com sua realidade. Nesses mundos de fantasia se sentia acolhida e respeitada em sua singularidade. Continuava sendo estranha, mas não era estranha para ela.

Projeto 15 minutos de escrita livre

Hoje inicio um projeto no qual irei escrever textos livres durante 15 minutos por dia.
Eles não terão temas, nem estrutura específica.