terça-feira, 14 de julho de 2015

Atrasado


Corre, corre, o relógio tocou.
Salta logo, a cama mandou.
Entra, entra, o chuveiro gritou.
Sai, sai, a água falou.
Ponha-me, a roupa sussurrou.
Ande, ande, o sapato, alardeou.
Não há mais tempo, a mente lembrou.
Assim começou o dia de Daniel.
Nem comer comeu, pois atrasado estava.
Estava atrasado por esperar que o mundo ao seu redor girasse.
Que seus desejos e ordens bastassem para viver o dia-a-dia.
Mas não bastavam, precisava crescer.
Precisava entender que haviam regras a serem cumpridas.
E existiam regras a serem quebradas.
Havia um mundo ao seu redor que não dependia de sua existência.
Havia um mundo de desejos e sonhos que não eram deles.
Alguns já haviam percebidos que estavam atrasados.
Outros ainda sonhavam com sua grandeza.
Pressionavam o soneca a cada vez que o relógio tocava.
Alguns acordavam e voltavam a dormir.
Daniel ainda estava em dúvida se queria enfrentar aquela realidade.
Mas outros que também haviam acordado o acolheram.
E agora Daniel dormia de tempos em tempos, mas apenas cochilos rápidos.
Não queria se perder no sonho, por mais difícil que a realidade lhe aparecesse.

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