quarta-feira, 15 de julho de 2015

Dor


A dor era constante e ela não sabia mais o que fazer.
Os médicos não ofereciam um diagnóstico preciso, e idas e vindas às consultas eram constantes.
Um exame aqui, outro ali. Nenhum deles chegava a conclusão algumas. Assim se foi uma ano, dois, três, mais de uma década se passou.
Quando ela reclamava, os outros zombavam, diziam que ela reclamava demais. A dor passou a ser sua companheira, já não reclamava, às vezes era como se não a sentisse, mas ela ainda estava lá. Havia dias que ela preferia ficar sozinha, pois não conseguia fingir que tudo estava bem. Nisso ela foi se afastando cada vez mais, só participava de eventos em que ela era obrigada a ir, passou a trabalhar online para não precisar sair, não tinha mais amigos com quem compartir.
Viveu uma vida imersa na dor. Ninguém percebeu quando ela desapareceu, passaram-se dias até a entrarem deitada na cama com agulhas de morfina ao seu redor, com um sorriso que em sua face ranzinza cavada pelo cansaço.

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