segunda-feira, 13 de julho de 2015

Mudar



Tocava uma música animada do lado de fora da janela, mas Ana não queria sair de sua casa, queria que aquela música cessasse para que ela pudesse ser absorta por sua melancolia. Não havia acontecido nada a ela, ela estava exposta ao mesmo marasmo e tarefas cotidianas. E era justamente isso que ela queria mudar, mas estava confusa em como conseguir. Já havia tentado mudar de rumos, mas as responsabilidades impostas a faziam voltar a trás. Deveria assumir as rédeas de sua vida, ser livre e assumir outras responsabilidades, que gostaria de poder escolher. Talvez, se a escolha fosse dela, ela escolheria o mesmo marasmo e as mesmas tarefas cotidianas, mas naquele momento ela não sabia disso, pois a escolha não fora dela. Ela assumira desejos de outras pessoas como se fossem dela, mas em seu cerne ela sabia que não desejava aquilo. Mas como quebrar expectativas sem magoar outrem? Essa questão ela não sabia responder, entretanto ela continuava a se machucar para atender a essas expectativas. Suas feridas estavam cada dia mais expostas, e todos fingiam não vê-las. Ela pensara em se matar para que aquela dor passasse, para se libertar daquela prisão de ideias que a agonizavam. Mas ela queria viver, uma vida diferente, e para aqueles que não esperavam isso dela aquilo era loucura. Só que ela nunca esteve tão sã.

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