segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Ciclotimia

Mari Khetsuriani

Ela queria ficar sozinha, e esse sentimento já havia se tornado rotina. Sentia-se como se não pertencesse aquela cidade, ou talvez aquele planeta. Mas havia momentos em que queria se divertir como se fosse para compensar todos aqueles dias que se isolava.
Dificilmente alguém a entendia, o que mais ouvia era que ela era estranha. Tentava se socializar, mas frequentemente era hostilizada.
Tinha momentos que ela sabia exatamente o porque estava chorando, outros apenas não conseguia segurar as lágrimas que brotavam de sua face.
Ela buscava se controlar e não mostrar nem quando estava empolgada, nem quando estava decepcionada, mas nem sempre isso era possível.
Aqueles com quem se sentia mais segura é que mais sofriam com isso, pois ela mostrava quem ela realmente era. Mas, por vezes, ela erava seu julgamento e apenas depois percebia que aquela pessoa não estava pronta para conhecê-la realmente. Talvez, ninguém estivesse realmente pronto para isso, mas algumas pessoas entendiam melhor do que outras.
Se escondia em máscaras, que a permitiam andar pela sociedade. Qual menos chama-se atenção para ti, melhor ela se sentia. Ela já se julgava, não precisava de um tribunal para isso.
Os remédios a faziam se sentir absorta em um mundo a parte, e ela preferia arriscar ser vista como louca, destemperada, e todos outros adjetivos que podiam surgir de suas mudanças de comportamento. Mas havia momento nos quais se rendia, para poder respirar e continuar sua jornada.

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